Nó de garganta
Nó de garganta Kathléen Carneiro Nó de cadarço, nó de corda, nó de fita, nó de cabelo, nó de escoteiro, nó de caminhoneiro, nó de pescoço e até nó de garganta. Quantos nós não existem? Quantos nós não nos colocam a beira de um precipício de lágrimas? Quantos nós não são de solidão e desamparo? Quantos nós não são uma consequência do eu? Nó é sinônimo de apego ou algo preso – estar preso. Nós é sinal de apego a outro alguém ou estar sozinhos juntos. Nó se dá em objetos, nós somos com pessoas. É o plural mais singular que existe. Será isso coisa da vida? Quando o peito aperto e o nó sobe a garganta, queremos chorar, mas só nos resta segurar. Ele se transforma em sapo e chega ao nosso âmago com a acidez de um limão chupado. Dói. Tanto o nó quanto a dó, dói. Nesses momentos, poucas palavras vêm à tona, porque um duelo começa: ou você responde e chora ou você se engasga e quase chora. Lágrima escorrida é vulnerabilidade, então a gente se derrama por dentro. A vida tem dessas. “Se...







